Meu ano acadêmico 2017

Inspirado por um post de Eiko Fried, resolvi fazer uma retrospectiva acadêmica do ano de 2017. São várias as razões para fazê-lo: sumarizar aos leitores o que estou fazendo; retomar as postagens no blog (seguindo a guia do Marco Mello de não manter as postagens principais no Facebook e no Twitter); amarrar as perdas à produção científica causadas pelo contexto político e econômico; avaliar as estratégias e soluções que assumimos esse ano; e celebrar o que deu certo:

academia can be extremely stressful at times, so it’s nice to sit down and take the time and celebrate the things that do go well occasionally.

Esse post, portanto, terá como guia uma discussão breve das minhas publicações desse ano; preprints; open data; orientações; palestras e seminários; aulas; e rede de colaboração.

1. Publicações, preprints, e dados

Em 2017, publiquei muito pouco em comparação com os anos anteriores: apenas 4 artigos, um dos quais está no prelo. Um desses artigos foi aceito em 2015(!); os outros 3 são resultado de diferentes colaborações. Mais sobre as colaborações abaixo. Acredito que parte do motivo da queda na produção é o trabalho administrativo, que me tomou muito tempo, e a limitação de recursos humanos (meu grupo, até o momento, é composto principalmente por alunos de graduação). Falarei um pouco mais sobre a questão das orientações abaixo. 2017 também foi o ano em que abraçamos a open science. Submetemos muitos preprints, alguns dos quais estão em revisão em periódicos. Também criei um repositório no GitHub, compartilhando dados e scripts de análise de diversos projetos. Mais sobre open science abaixo. Os artigos, preprints, e pacotes de dados publicados em 2017 foram:

  1. Leão LKR, Herculano AM, Maximino C, Costa AB, Gouveia Jr A, Batista EO, Rocha FAF, Crespo-Lopez ME, Borges R, Oliveira KR. (2017). Mauritia flexuosa L. protects against deficits in memory acquisition and oxidative stress in rat hippocampus induced by methylmercury exposure. Nutr Neurosci 20: 297-304. DOI: 10.1080/1028415X.2015.1133030. Link.
  2. Kysil EV, Meshalkina DA, Frick EE, Echevarria DJ, Rosemberg DB, Maximino C, Lima MG, Abreu MS, Giacomini AC, Barcellos LJG, Song C, Kalueff AV (2017). Comparative analysis of zebrafish anxiety-like behavior using conflict-based novelty tests. Zebrafish 14: 197-208. DOI: 10.1089/zeb.2016.1415. Link.
  3. Soares MC, Cardoso SC, Carvalho TS, Maximino C (2017). The use of model fish as tools for research the biological mechanisms of cooperative behaviour: A future for translational research concerning social anxiety disorders?Prog Neuro-Psychopharmacol Biol Psychiatry, In press. DOI: 10.1016/j.pnpbp.2017.11.014. Link. Preprint.
  4. Idalencio R, de Alcântara Barcellos HH, Kalichak F, da Rosa JGS, Oliveira TA, de Abreu MS, Fagundes M, Dametto F, Marcheto L, de Oliveira CM, Barcellos LJG (2017). α-Methyltyrosine, a tyrosine hydroxylase inhibitor, decreases stress response in zebrafish (Danio rerio). Gen Comp Endocrinol 252: 236-238. DOI: 10.1016/j.ygcen.2017.07.012. Link.
  5. Maximino C (2017). Behavioral models in psychopathology: Practical, epistemic, and semantic issues. PsyArxiv (Preprint). DOI: 10.17605/OSF.IO/M9TPV. Preprint.
  6. Barbosa HP, Lima MG, Maximino C (2017). Acute fluoxetine differently affects aggressive display in zebrafish phenotypes. bioRxiv (Preprint). DOI: 10.1101/217810. Preprint | Dados.
  7. Chaves SNS, Felicio GR, Costa BPD, Oliveira WEA, Lima MG, Silva DHS, Maximino C (2017). Behavioral and biochemical effects of ethanol withdrawal in zebrafish. bioRxiv (Preprint). DOI: 10.1101/201368. Preprint | Dados.
  8. Lima MG, Cueto-Escobedo J, Rodriguez-Landa JF, Maximino C (2017). FGIN-1-27, an agonist at translocator protein 18 kDa (TSPO), produces anti-anxiety and anti-panic effects in non-mammalian models. bioRxiv (Preprint). DOI: 10.1101/056507. Preprint | Dados.
  9. Lima MG, Herculano AM, Maximino C (2017). Analysis of behavioral variables across domains and strains in zebrafish: Role of brain monoamines. bioRxiv (Preprint). DOI: 10.1101/055657. Preprint.

2. Open science

Como disse acima, 2017 foi o ano em que abraçamos a open science. Abrimos um repositório no GitHub, onde compartilhamos dados, scripts, e preprints resultantes. Acredito que essa é a maneira mais transparente de fazer ciência. Como não temos grana pra bancar a taxa de revistas de acesso aberto, optamos pelos preprints como via verde para garantir ao público o acesso aos nossos artigos. WhatsApp Image 2017-12-03 at 20.38.00 Uma vantagem adicional dos preprints é que podemos receber críticas ao trabalho de maneira muito mais rápida e ampla do que aconteceria se somente enviássemos o artigo para uma revista. Criei um pipeline de publicação: dados abertos + preprint, seguido de solicitação de comentários no Twitter do LaNeC (desde que implementamos essa estratégia, só recebemos comentários em um preprint, mas a expectativa é ampliar isso). Depois de um período de uma ou duas semanas, submeto o manuscrito a alguma revista científica. A maioria dos preprints lá em cima está em revisão em algum periódico. A exceção é o preprint submetido para o PsyArxiv; mandei-o para algumas revistas que rapidamente o rejeitaram pelo tamanho. Algumas semanas atrás recebi um email de um pesquisador (aposentado), muito influente na área, me encorajando a publicar. Bora ver no que dá.

3. Orientações

Esse também foi um ano para expandir orientações. Desde co-orientação na pós-graduação até um aumento do número de aspiras na IC e extensão. Oriento 4 alunos de IC, 03 alunos na Prática de Pesquisa em Psicologia, 2 monitores, 3 alunos na pós-graduação, e 17 alunos de extensão. Ofertei 2 vagas no mestrado em Neurociências e Comportamento (PPGNC), mas não foram preenchidas; 1 vaga no doutorado da Rede BioNorte; e 1 vaga no mestrado em Educação em Ciências e Matemática (PPGECM). Aliás, essa é provavelmente a maior novidade do ano: a filiação a programas de pós-graduação. Depois de quase um ano cozinhando, minha filiação ao PPGNC da UFPA foi aprovada, e ofertei duas vagas. Infelizmente, os candidatos não passaram na prova de proficiência, que é eliminatória. Tive muita procura – há uma mega demanda reprimida no sudeste do PA! -, mas ainda precisamos de estratégias para resolver essas questões. Pouco depois, a APCN do PPGECM foi aprovada. Depois de muitos atropelos na universidade, o edital de seleção acabou de ser publicado. Espero que dê tudo certo. 2017 também foi ano de rever práticas de orientação. Comecei a escrever sobre isso no blog; o primeiro post está aqui.

4. Palestras e seminários

Fiz muitas falas acadêmicas das quais me orgulhei. Vou me limitar a listá-las:

  1. “Cérebro, comportamento, e evolução” no Darwin Day.
  2. Falando sobre depressão” para ACSs da região durante o Dia Mundial da Saúde.
  3. Palestras de abertura e fechamento da IV Semana do Cérebro de Marabá
  4. Modelos de ansiedade no zebrafish“, na SBneC2017
  5. Physiological and behavioral markers of stress“, no Behaviour ’17
  6. Non-mamnalian models in behavioral neuroscience“, no IV Simposio Internacional de Neuroetología
  7. Workshop on behavioral models in zebrafish“, no Instituto de Neuroetología da Universidad Veracruzana

5. Aulas

Ministrei algumas disciplinas na graduação:

  1. Estudos dos Fenômenos Psicopatológicos I & II
  2. Morfofisiologia Comparada I
  3. Biofísica
  4. Fundamentos Anatomofisiológicos Aplicados à Psicologia

Em algumas ousei mais, explorando novos métodos de ensino. Algum dia escrevo sobre isso.

6. Rede de colaboração

Tive a honra e o prazer de trabalhar com muitos colaboradores novos esse ano, bem como manter colaborações anteriores. Como disse antes, todos os artigos publicados esse ano são fruto de colaborações. Estabeleci uma profícua colaboração com as seguintes pessoas:

  • Leonardo Barcellos, da UPF; sou co-orientador do projeto de doutorado do Renan Idalêncio, o que já gerou um artigo.
  • Denis Rosemberg, da UFSM. Temos colaborado no projeto “Papel da serotonina em modelo animal de pânico”.
  • Anderson Manoel Herculano, da UFPA. Meu maior co-autor (ou serei eu o maior co-autor dele?), estou co-orientando o projeto de mestrado da Rhayra do Carmo, egressa do LaNeC.
  • Kelly Castro, da UFOPA. Estamos desenvolvendo um projeto para avaliar o potencial ansiolítico de plantas medicinais.
  • Marta Soares e Sónia Cardoso , do CIBIO. O melhor resultado de 2017 foi essa colaboração, que já resultou em um artigo, um projeto submetido, e dois manuscritos – e tudo isso desde agosto
  • Juan Francisco Landa e Jonathan Cueto-Escobedo, da Universidad Veracruzana. Outra colaboração nova bem legal, que já rendeu um manuscrito/preprint, acordo de cooperação técnica, proposta de documentário, proposta de editoração de livro…
  • Leonel Rojo Castillo, da Universidad de Santiago de Chile. Essa ficou no forno da burocracia por um tempo e foi reativada hoje.

Sem essas colaborações, e sem os alunos, nada teria acontecido esse ano. Agradeço profusamente a todos por isso! EDIT: finalmente consegui replicar o script do Eiko Fried. Abaixo o resultado: minha rede de colaboração desde que publiquei meu primeiro artigo. Vamos ver como se desenvolve…

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